28
de
abril
MAIS UM! MAIS UM! MAIS UM ! BOM FERIADÃO!!!

Credits: Eu por mim mesmo em Canaxs-vieiraxss

Credits: Eu por mim mesmo em Canaxs-vieiraxss
O JEITO DELES
by Marta Medeiros
O que é que faz a gente se apaixonar por alguém?
Mistério misterioso. Não é só porque ele é esportista, não é só porque ela é linda, pois há esportistas sem cérebro e lindas idem, e você, que tem um, não vai querer saber de descerebrados. Mas também não basta ser inteligente, por mais que a inteligência esteja bem cotada no mercado. Tem que ser inteligente e… algo mais. O que é este algo mais? Mistério decifrado: é o jeito. A gente se apaixona pelo jeito da pessoa. Não é porque ele cita Camões, não é porque ela tem olhos azuis: é o jeito dele de dizer versos em voz alta como se ele mesmo os tivesse escrito pra nós; é o jeito dela de piscar demorado seus lindos olhos azuis, como se estivesse em câmera lenta. O jeito de caminhar. O jeito de usar a camisa pra fora das calças. O jeito de passar a mão no cabelo. O jeito de suspirar no final das frases. O jeito de beijar. O jeito de sorrir. Vá tentar explicar isso. Pelo meu primeiro namorado, me apaixonei porque ele tinha um jeito de estar nas festas parecendo que não estava, era como se só eu o estivesse enxergando. O segundo namorado me fisgou porque tinha um jeito de morder palitos de fósforo que me deixava louca, ok, pode rir. Ele era um cara sofisticado, e por isso mesmo eu vibrava quando baixava nele um caminhoneiro. O terceiro namorado tinha um jeito de olhar que parecia que despia a gente: não as roupas da gente, mas a alma da gente. Logo vi que eu jamais conseguiria esconder algum segredo dele, era como se ele me conhecesse antes mesmo de eu nascer. Por precaução, resolvi casar com o sujeito e mantê-lo por perto. E teve aqueles que não viraram namorados também por causa do jeito: do jeito vulgar de falar, do jeito de rir, sempre alto demais e por coisas totalmente sem graça , do jeito rude de tratar os garçons, do jeito mauricinho de se vestir: nunca um desleixo, sempre engomado e perfumado, até na beira da praia. Nenhum defeito nisso. Pode até ser que eu tenha perdido os caras mais sensacionais do universo. Mas o cara mais sensacional do universo e a mulher mais fantástica do planeta nunca irão conquistar você, a não ser que tenham um jeito de ser que você não consiga explicar. Porque esses jeitos que nos encantam não se explicam mesmo.
Fonte: Jornal Zero Hora
_"Eu vim aqui porque uma amiga me indicou…".
A Beth não segurou um sorriso. Que coisa. Eu sabia… porque ela estava rindo? Sabia que ela achava que era resistência, recalque, complexo e outros conceitos. Quem era resistente, eu? Humpft.
Reparei nela. Morena, cabelo liso, impecavelmente bem vestida, olhos negros e grandes, bem brilhantes, que davam a impressão de estar enxergando dentro de mim. Cheirosa, cheia de jóias, delicada, e com um óculos por perto, super charmoso. A sala não ficava atrás, parecia com ela. Arrumada, aconchegante, cheia de quadros, figuras, uma estante com enfeites, e uma mesa com livros. Ouvi novamente a voz calma dela.
- Tá, agora me conta de verdade: o que te trouxe aqui?
Repeti a frase de antes, já um pouco impaciente. Mas me esforçando pra sorrir e parecer natural. Me lembro do nervosismo da hora… Algo quase incotrolável. Eu me sentia como se alguém que eu nunca tivesse visto fosse tirar a minha roupa e me deixar nu em praça pública, pra todo mundo olhar. Exposto. Me lembro também de ter pensado em ir embora correndo. E por várias vezes pensei…em nunca mais voltar.
Ela, percebendo o meu estado, foi me acalmando, fazendo perguntas amenas, e pediu licença pra anotar alguns detalhes. Nome, idade, onde mora, o que faz, se estuda, mãe, pai, irmãos, coisas e + coisas. Fui respondendo tudo, tecnicamente. Pediu que eu falasse do trabalho …. Continuei falando, animadamente. E quando eu me senti confortável, ela provocou de novo.
- Quem é você de verdade? O que você realmente quer da vida? E não me venha com discursos prontos, que se você é esperto, eu também sou.
Olhei pra ela com medo. Medo mesmo. Depois de um longo silêncio,
- Eu não sei.
- Tá afim de descobrir?
- Tô…
- Tá ou não tá?
- É, seria bom…
- Tá ou não tá?
- TÔ.
- Ótimo. Será um prazer te acompanhar.
E seguiu um longo discurso dela sobre dias e horários da sessão, preços, combinados de férias, de faltas, de pagamentos, de propostas de trabalho. Pediu pra que eu anotasse meus sonhos. Perguntou se eu concordava com tudo. Meio tonto, respondi que sim. E antes de encerrar, ela advertiu:
- Bem vindo. Não vai ser fácil, muito pelo contrário, é dificílimo, é dolorido, é complicado, é desgastante, é caro, é tudo. Mas é possível… E vai ser lindo, você vai ver.
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Enfim, o cultuado romance da escritora Anne Rice, de New Orleans, chega aos palcos da Broadway. Estreou ontem, dia 25 de abril, a peça "Lestat", que conta um pouco da história de um dos vampiros mais sexies da ficção moderna. Com músia de Elton John e dirigido por Robert Jess Roth, que ganhou o Tony pela montagem de "A Bela e a Fera", "Lestat" promete ser um dos grandes frissons do verão Novaiorquino. O slogan da peça já é de arrepiar: "Morra jovem, viva eternamente". O site official da peça está no link abaixo.
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‘TRANSAMERICA
de Duncan Tucker
* * * * Na abertura do filme uma mulher ensina, numa sessão fonoaudiológica, como mudar o tom e o timbre da voz, como se fosse um vídeo educativo. A modificação da voz seria necessária tanto do ponto de vista da personagem (Stanley, um homem, se tornando Sabrina), quanto da atriz principal (Felicity Huffman fazendo-se crer um homem em sua metamorfose feminina). Enquanto a personagem teria que afinar e suavizar sua voz ‘masculina’, a atriz, em contrapartida, teve que de alguma forma ‘masculinizar’ seu timbre, deixando sua comunicação oral travestida, como se fosse crivelmente um homem tentando se feminilizar. O filme de Duncan Tucker é um road-movie que leva a mudanças não somente de timbres foniátricos, mas transmutações afetivas. Sabrina (apelidada de ‘Bree’) é uma transexual no pré-operatório, que aguarda a autorização burocrática de sua terapeuta para a cirurgia e se depara com o surgimento inesperado de seu desconhecido filho de 17 anos, preso às voltas com drogas. Como a mãe do garoto está morta, Sabrina deve providenciar ao filho, ajuda moral e lhe garantir um lar, antes que seja feita a intervenção cirúrgica. Durante a viagem, há situações de humor, momentos de preconceito, descobertas emocionais, visitas a parentes distantes e o aprendizado do afeto mútuo pai-filho. Depois de ver Felicity Huffman na pele de um transexual em andamento, fica clara a injustiça do OSCAR este ano, ao deixar de premiá-la como Melhor Atriz. Com uma atuação sutil, repleta de pequenos detalhes, nuances de comportamento, modificações na voz, no ato de caminhar e na postura, Huffman faz com que o espectador leigo, em nenhum momento saiba que ela é uma mulher de verdade. Claro, há o recurso da maquiagem, mas é muito visível e completamente verossímil que se trata mesmo de um ator interpretando um transexual. O filme de Tucker é muito bem-vindo. Uma inesperada jornada repleta de ambiguidades humanas, sexuais e afetivas. Ainda sem previsão de estréia no Brasil, ‘Transamerica’ é uma viagem imperdível. 


