L a m b e - L a m b e

°º °° Senta ai no banquinho e faz uma pose bem bonita ° º ° _” Olha o passarinho!”

24

de
julho

PAPEIS INVERSOS

Quando alguém vai embora, o dia, ainda que o sol brilhe e o céu esteja azul, fica cinzento, chuvoso, amuado. Um frio constante abaixa a temperatura do corpo, fazendo com que se fique encolhido e com o olhar perdido, como se tivessem apagado uma chama de dentro do coração. Chama esta que pode até voltar a se acender ( e é desejável que reacenda ). Mas sempre haverá uma falha nela - a falha deixada pelo alguém que foi embora.

Quando alguém vai embora, para nunca mais voltar, a alma leva um grande choque, por mais que a cabeça entenda que tudo, absolutamente tudo nessa vida é provisório e passageiro, que os caminhos se cruzam e se descruzam, e que certas coisas são inevitáveis. Então, a alma se veste do mais suntuoso negro, recolhendo-se, e ficando vazia e triste. Às vezes, os olhos, as mãos, a boca vazam essa tristeza; outras vezes, não há ânimo nem para isso. E assim, vestida de negro, a alma contempla a vida, esperando a hora de voltar a sorrir, ainda que o sorriso tenha um traço leve de tristeza - o traço deixado pelo alguém que foi embora.

 Quando alguém vai embora, o tempo castiga quem ficou. O dia tem mais horas, os minutos mais segundos, e tudo é mais demorado e difícil. Às vezes, sente-se a densidade dos momentos passando, quase tão pesada que se poderia tocar com a mão. E, nessas horas, chega-se a ter certeza que jamais se poderá seguir com a vida em frente com a falta tamanha que aquele alguém que foi embora faz. Mas a vida segue, e quem ficou segue com ela.

Quando alguém vai embora, quase sempre vem um arrependimento, e a sensação estranha de que não há mais chances. Fica-se pensando na conversa importante que não houve, na declaração que não foi feita, no carinho que se deixou pra depois, nos erros que foram cometidos, no desabafo que não foi externado, no amor que ficou pra ser sentido, no tempo que era pra ser vivido juntos e cheio de tantas coisas, e agora tem que ser passado em solidão. E tudo isso vai formando um nó que tampa a garganta, interrompe a respiração durante o sono, não te deixa comer e provoca uma sensação de abandono que só poderia ser deixada por aquele alguém que foi embora, porque cada história é única.

Quando alguém vai embora, quem ficou percebe coisas que antes não eram percebidas, e quanto mais o tempo passa, mais se percebe. Começa a fazer falta aquele olhar de carinho ou reprovação, aquela voz invadindo a casa, aquela obrigação quase chata de ter que dar um telefonema, aquele jeito de falar e abraçar; e no começo dá a impressão de que tudo isso ficará perdido em algum lugar inatingível. As datas especiais ficam doloridas. Os códigos que só podem existir entre uma e outra pessoa que se gostam ficam sem sentido. A voz daquela pessoa soa em momentos inesperados, e o coração dói levemente. E quem ficou percebe que ninguém pode tomar o lugar daquele alguém que foi embora.

Quando alguém vai embora, as dúvidas começam a rondar a cabeça, e a fé sofre um abatimento. Percebe-se que o mais forte dos homens, a mais abençoada das mulheres, o mais saudável ser, um dia, sucumbe. Percebe-se que a existência é frágil. Vem a raiva, a percepção da impotência, o medo. Duvida-se da vida, da morte, de Deus, das pessoas, do amor. Assim como vem, as dúvidas vão e voltam sem resposta, porque não há respostas. E tudo isso pode virar amadurecimento ou amargura, dependendo de como quem fica quer aproveitar a experiência de perder o alguém que foi embora.

 A verdade é que o mundo todo acaba quando alguém vai embora. E não dá a menor vontade de reconstruir nada. Nada.

Quando alguém vai embora, quem ficou começa a trilhar uma estrada longa, que tem um nome melancólico - saudade. Essa estrada, a princípio, é enlameada, escorregadia, escura, esburacada; e muitas vezes faz cair, machucar, e quase desistir de andar. A dor é tão profunda, e parece estar enraizada em um lugar tão inacessível, que parece que nunca vai sarar. Mas ela sara. Aos poucos, ela sara. E aí chega a hora de deixar o tempo fazer seu trabalho. Chega a hora de sorrir de novo. De deixar as lembranças serem somente lembranças. De tirar o manto negro da alma. E, de repente, a estrada, apesar de a cada dia ter mais uns passos de distância, vai se tornando cada vez mais leve, mais iluminada, bonita até. E quem ficou percebe que, na verdade, aquele alguém pode até ter ido embora, mas nunca deixou de existir, e isso é uma forma de vida. A mesma vida que segue por tantas outras estradas que vão se cruzando, descruzando, e nunca voltam. E percebe-se que só se tem a agradecer a oportunidade de ter estado com aquele alguém que foi embora, mas sempre estará presente, de alguma forma. E então vem aquela paz que só o amor de verdade pode dar.

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19

de
junho

O primeiro dia:

About fim de semana:

No sabado, fui na minha livraria preferida, a Cultura do Bourbon Country, só que sabado , geralmente tem muita gente passeando, que se torna meio chato, por que não atravessam a rua e vão no Iguatemi, ja que querem passear? Paciência

Na nigth, sai pra jantar com os big brothers, é muito estranho, Porto Alegre deve ser o unico lugar onde tu chega num lugar pra jantar as onze horas, e os atendentes ficam irritados e atendem bem mais ou menos.Paciência…

Domingueira, joguim do Brasil, sol  na moleira e chimarrão.

Hoje, passei reto pelo segundo andar, subi, tô, talvez, temporariamente aqui na procuradoria, espero que seja uma boa nova etapa.

Com a barba bem feita, o cabelo ajeitadinho, camisa preta da sorte, vamu ver no que da.

Boa semana pra todos nós!

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9

de
junho

CARTAS DE UM SEDUTOR - HILDA HILST

"Trecho de Cartas de um sedutor de Hilda Hilst

 Estou doente. Taco, meu médico e amigo prescreveu champanhe gelado. Brut. E gelo nas têmporas. E sabes por que estou doente? Porque pressinto surpresas, notícias inquietantes, vindas não sei de onde, talvez de ti. (E por outra coisa que já te digo.) Sinto também que não devemos continuar com as cartas. Te vejo dissimulada, escondendo algo muito sério. Por que não permites que eu vá até sua casa? O que guardas aí? De alguma maneira me transformaste num escriba ou melhor num escrevinhador, e só de saber que tu me pensas escritor agiganta-me a náusea. Que tipos petulantes! Que nojosos! Esgruvinham as virilhas, o pregueado, escarafuncham os sórdidos corações, as alminhas magras, e daí enchem-se de arrotos quando terminam os textos. Verdade que adoro os livros, mas se pudesse arrancar de mim a visão dos estufados que os escreveram vomitaria menos o mundo e a própria vida. Tínhamos um amigo, o Stamatius (!) (eu só o chamava de Tiu, porque, convenhamos, Stamatius não dá) que perdeu tudo, casa e outros bens, porque tinha mania de ser escritor. Dizem que agora vive catando tudo quanto há, é catador de lixo, percebes? Vive num cubículo sórdido com uma tal de Eulália que deve ter nascido no esgoto. Muitos o procuram para ajudá-lo. Não quer nem saber. O Tiu quer escrever, só pensa nisso, pirou, sai correndo de pânico quando vê alguém que o conheceu. Carrega no peito uma medalha de Santa Apolônia, protetora dos dentes. Ah, não tem mais dentes. Bonito o Stamatius. Elegante, esguio. A última coisa que fez antes de sumir por aí foi torcer as bolotas de um editor, fazê-lo ajoelhar-se até o cara gritar: edito sim! edito o seu livro! com capa dura e papel bíblia! Só então largou as bolotas e balbuciou feroz: vai editar sim, mas a biografia da tua mãe, aquela findinga, aquela léia, aquela moruxaba, aquela rabaceira escrachada que fodeu com o jumento do teu pai - e quebrou-lhe os dentes com a muqueta mais acertada que já vi. Quebrou a mão também. Bem, mas isso não vem ao caso. Ao caso pior: o Kraus morreu. A Cuzinho num acesso de indignação não só a cause do apelido mas desesperada com todas as indignidades vindas do Tom, invadiu a casa do Kraus com o linguão de fora, e alguns dizem que o perseguiu pela casa inteira uma boa meia hora, escobilhando a comprida. Consta que o Kraus tapava o aro morrendo de rir literalmente. E acreditas? Morreu. O Tom quer provar homicídio, quer o testemunho de todos os amigos e dos terapeutas também, mas quem é que vai acreditar que um cara morreu de rir só com a ameaça de lhe lamberem o botão? A turma do pólo está estudando um plano, alguma nefanda crueldade para Amanda. Dizem que vão lhe enfiar algumas bolas de pólo polpas e pombinha adentro. Se assim for resolvido manda-me os tocos dos tais ficheiros. Haja bola! Tom foi medicado na hora do enterro de Kraus porque não suportou ver o amigo morto e ainda sorrindo. Estou doente por tudo isso e porque não posso pensar na morte, nem na minha nem na do Kraus nem da barata, tenho medo da pestilenta senhora e imagino-me puxando-lhe o grelo, esticando-lhe os pentelhos até ouvir sons tensos arrepiantes. Hoje gritei demente: vem, Madama, vem, e irado, numa arrancada, soltei da pestilenta grelo e pentelhos e eles esbateram-se frenéticos nos seus baixos meios. Se pudesse seduzir a morte, lamber-lhe as axilas, os pêlos pretos, babar no seu umbigo, enturpir-lhe as narinas de hálitos melosos, e dizer-lhe: sou eu, gança, sou eu, mariposa, sou Karl, esse que há de te chupar eternamente a borboleta se tu lhe permitires longa vida na olorosa quirica do planeta.

Ciao, irmanita. "

(Cartas de um sedutor - SP: Paulicéia, 1991.)

By Miguel (por e-mail)

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22

de
maio

O que eu tô lendo (pela terceira vez).

* As Boas Mulheres da China, de Xue Xinran, Companhia das Letras.
A princípio, é mais uma obra que chama a atenção para a opressão e a desigualdade social entre os sexos. Mas o livro é muito mais que isso - trata-se de uma reflexão intensa sobre o que é ser mulher e, além disso - sobre o que é ser uma pessoa em um mundo tão louco e tão cheio de atrocidades.
Nem vou dizer que essa é uma leitura obrigatória para todas as mulheres do mundo. E nem que os homens deveriam ler tanto quanto ou mais que essas mesmas mulheres. Infelizmente, as verdades que constam nesse livro não são digeríveis ou aceitáveis para muitas pessoas. Mas quem lê, não pode negar que as histórias das boas mulheres da China podem mudar uma vida. No mínimo, fazer com que os óculos com os quais você enxerga o mundo fiquem menos embaçados.
Xinran é uma jornalista chinesa. Em tempos de mudanças políticas e econômicas na China, ela tinha um programa de rádio. Nele, se tocava um pouco de música, se lia algumas notícias… E se conversava com mulheres. Aos poucos, elas foram chegando e contando suas histórias. E Xinran reconta algumas delas nesse livro.
Há histórias de mulheres oprimidas, estupradas, violentadas de diversas maneiras, diminuídas, deixadas à margem de tudo, inclusive de suas famílias e da sociedade em que viviam. Por exemplo, da mocinha que criava uma mosca como animal de estimação. Ou da senhora catadora de lixo que escondia um segredo absolutamente improvável. Ou da moça que sofreu inúmeros abusos em nome da Revolução e acabou enlouquecendo. São histórias reais, que acontecem em um lugar que fica logo ali… Há poucos anos atrás.
A leitura do livro é fácil - Xinran escreve bem, e transmite pelas palavras muito de seu conhecimento e de sua emoção; conta histórias sobre seu país e sua gente, e a história dela própria. Mas, apesar da leitura leve, o conteúdo de cada capítulo é pesado e forma bolos de angústia no estômago e na alma. No entanto, quando acabei de ler - ou melhor, enquanto lia-, algo em mim se transformou. Através da luta e da busca da dignidade humana vivida por aquelas mulheres, eu percebi que também tenho um caminho a trilhar, muito longo ainda; que também tive histórias sofridas e ainda assim estou de pé,  e que todos merecemos a felicidade, muito embora sejamos afastados dela. Vale a leitura. Mesmo.

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18

de
maio

“não me deixe só”

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4

de
maio

_”Nus dedo”

 

*****

A revista "Isto É", da semana passada, publicou a excelente entrevista de Camilo Vannuchi. O entrevistado é Roberto Shinyashiki, médico psiquiatra, com Pós-Graduação em administração de empresas pela USP, consultor organizacional e conferencista de renome nacional e internacional. Uma das perguntas e uma das respostas veja a seguir emedite.

.

 

ISTOÉ — Muitas pessoas têm buscado sonhos que não são seus?

.

Shinyashiki A sociedade quer definir o que é certo.

São quatro Loucuras da sociedade.

A primeira é instituir que todos têm de ter sucesso, como se ele não tivesse significados individuais.

A segunda loucura é: Você tem de estar feliz todos os dias.

 A terceira é: Você tem que comprar tudo o que puder.

 O resultado é esse consumismo absurdo.

Por fim, a quarta loucura:Você tem de fazer as coisas do jeito certo . Jeito certo não existe. Não há um caminho único para se fazer as coisas. As metas são interessantes para o sucesso, mas não para a felicidade. Felicidade não é uma meta, mas um estado de espírito. Tem gente que diz que não será feliz enquanto não casar, enquanto outros se dizem infelizes justamente por causa do casamento. Você pode ser feliz tomando sorvete, ficando em casa com a família ou amigos verdadeiros, levando os filhos para brincar ou indo a praia ou ao cinema. Quando era recém-formado em São Paulo, trabalhei em um hospital de pacientes terminais. Todos os dias morriam nove ou dez pacientes. Eu sempre procurei conversar com eles na hora da morte. A maior parte pega o médico pela camisa e diz: "Doutor, não me deixe morrer. Eu me sacrifiquei a vida inteira, agora eu quero aproveitá-la e ser feliz". Eu sentia uma dor enorme por não poder fazer nada. Ali eu aprendi que a felicidade é feita de coisas pequenas. Ninguém na hora da morte diz se arrepender por não ter aplicado o dinheiro em imóveis ou ações, mas sim de ter esperado muito tempo ou perdido várias oportunidades para aproveitar a vida.

Seja feliz como é, e com o que já possuí, isso vale a pena!

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2

de
maio

Terceira Pessoa do Plural

 

Passo por ti
Tu nem me vês
Só mais um dia.. amanha talvez

E fico à espera
De ver em ti
O sentimento.. que trago dentro de mim

Mas eu só posso imaginar
O que podia ser
Se eu te pudesse abraçar
Se eu te pudesse ter

Secretamente á espera de um gesto, de um sinal
Secretamente tentando saber se dás por mim, afinal
Secretamente á procura de um toque, de um olhar
Secretamente tentando saber..
Se algum dia os nossos mundos se irão cruzar

Qual o caminho
Que irá dar, a esse teu mundo
Onde eu queria entrar.
E tantas vezes, eu já sorri
Só por lembrar-me
Só por pensar em ti

E eu só posso imaginar
O que podia ser
Se eu te pudesse abraçar
Se eu te pudesse ter..

Secretamente á espera de um gesto, de um sinal
Secretamente tentando saber se dás por mim afinal
Secretamente à procura de um toque, de um olhar
Secretamente tentando saber
Se algum dia os nossos mundos se irão cruzar…!

(Voz: Rita Guerra/Letra: Paulo Martins)

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24

de
abril

A vida é azul e cheira a mar.
É um pássaro e uma árvore que cresce.
A vida é o luar e a noite que desce para te abraçar.
É música triste. É música alegre.
E um filme! É uma comédia,
é um drama, um romance, é uma tragédia!
É terror, é ação, é suspense! É amor!

A vida é o relógio. É o tempo.
É o sol. E a chuva. É o verão!
A vida és tu. A vida sou eu.
É o teu irmão. É o teu patrão!
A vida é o emprego. E o dinheiro.
É o Natal e os presentes também.
É o bacalhau e os doces. E as férias!
É a confusão.

A vida é Agosto! A vida é desgosto.
É rir. É chorar. É chorar a rir. É partir.
A vida é ficar. É ir e não voltar. É amar!
A vida é muito sexo. É prazer!
É poder. É querer. É acreditar e vencer!
É uma esperança. É uma criança.
A vida é um filho!

A vida é um Adeus. É um princípio.
É um fim. A vida é um não, é um talvez, é um sim!
É uma palavra, uma frase.
É um texto grande! É um poema !
A vida é uma borboleta. É uma baleia!
Uma aranha e uma teia!
É um comboio. É um avião.
É um tum tum. É um coração!
A vida é luz. É escuridão. É o nevoeiro.
É sombra de um pessegueiro.
A vida é o que tu quiseres!

E a tua vida, o que é?

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18

de
abril

SÓ UMA FRASE

Resumo de como eu estou me sentindo, apesar de ja estar no meu inferno astral.

"Coisas inesperadamente boas podem acontecer até no ultimo momento"

Frederico Fellini - do filme SOB O SOL DA TOSCANA

Frase que eu tirei dum filme que adorei, por varios motivos e me trazem boas lembranças.

 

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12

de
abril

(…)

.

.

… " - Porque considero que influir sobre uma pessoa é transmitir-lhe um pouco de sua própria alma; esta pessoa deixa de pensar por si mesma, deixa de sentir as suas paixões naturais. Suas virtude não são mais suas. Seus pecados, se houver qualquer coisa semelhante a pecados, serão emprestados. Ela tornar-se-á eco de uma música estranha, autora de uma peça que não se compôs para ela. O fim da vida é o desenvolvimento da personalidade. Realizar a sua própria natureza- eis o que todos procuramos fazer. Os homens hoje, amedrontam-se deles mesmos. Esqueceram-se dos maiores de todos os deveres, do dever que cada um deve a si próprio. Naturalmente são caridosos. Nutrem o pobre e vestem os andrajosos, mas deixam as suas almas famintas e andam nus. A coragem nos abandonou; é possível que nunca a possuíssemos! O terror da sociedade, que é a base de toda moral, o terror de Deus, que é o segredo da religião- eis as duas coisas que nos governam."

 Fonte: O Retrato de Dorian Gray. Oscar Wilde.

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